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Para inovar em educação pense em educação como serviço.

30 ago

Se você achou óbvio o enunciado acima, certamente você tem razão. Educação é, de fato, serviço. “Serviço é tudo aquilo que, quando você solta, não cai no seu pé”. Certo, essa foi a definição engraçadinha. Mas segundo Kotler serviço é “qualquer atividade ou benefício que uma parte possa oferecer a outra, essencialmente intangível, e que não resulta em propriedade e sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico”.

Mas é comum em palestras ou ofertas de empresas de educação (e inclua a escola do seu filho aqui, por que lá no fundo, trata-se também de uma empresa) a inovação nessa área ser apresentada em embalagens como tablets, smartphones, em videogames etc, ou seja, pensando a educação como produto.

Devo fazer justiça e dizer que a inovação também é apresentada em outros serviços, como em redes sociais de forma geral. Quem nunca se pegou lendo um artigo sobre como o twitter pode ser utilizado na educação?

Antes que me entendam mal, eu acredito sim que o twitter deva ser utilizado na educação, só não deve ser o seu foco. No mundo das demandas de educação é comum recebermos premissas e objetivos como:

- o programa tal deve sensibilizar os alunos para o problema “X”. (até aqui estamos indo bem)
- o programa tal deve ser baseado numa comunidade em redes sociais. (começou a ficar estranho)
- o programa tal deve ser inovador. (humm…)

Inovação é sempre uma coisa boa, mas você não chega a ela pensando exclusivamente em inovar. Segundo Clemente Nóbrega, físico e pesquisador sobre o tema, para chegar à inovação você deve se preocupar com o que ele chama de “job to be done”, ou aquilo que precisa ser feito. O resto é detalhe.

Vamos supor que os objetivos do programa tal sejam reais. Nesse caso, o “job to be done” é sensibilizar os alunos para o problema “X”. Excelente. Se os responsáveis pelo programa estiverem focados em resolver essa equação, poderão olhar ao redor e entender quais as melhores soluções (conceituais, tecnológicas, didáticas etc). É possível, inclusive que venham a utilizar redes sociais ou outra solução nova que otimize seus recursos e potencialize o aprendizado, o que, segundo o conceito do Clemente Nobrega, seria inovador nesse caso. Inovador por otimizar recursos ou potencializar o aprendizado, não por ser novo ou estar na moda.

Entender a educação como um serviço é fundamental para entender o “job to be done” de cada desafio educacional, de treinamento etc. E para isso, voltamos ao básico do diagnóstico do público alvo, de suas necessidades e do entendimento da profundidade e da natureza do conteúdo de um programa. Desejar que um treinamento não seja maçante, ou desperte um interesse e envolvimento diferente dos alunos é pertinente, desde que isso seja necessário para que o aprendizado aconteça. Desejar a inovação, pela inovação, pode até atrapalhar e complicar a vida dos alunos.